São João Batista Maria Vianney ou Cura dArs
nasceu em Dardilly, França, em maio de 1786, no seio de uma família
cristã. Pelas dificuldades no aprendizado, chegou a desertar do exército
napoleônico por não conseguir acertar o passo com seu batalhão. Sentindo
chamado para o sacerdócio, deixou as lidas do campo que prestava ao pai e
aos vinte anos de idade ingressou no seminário maior, em Lião. Não conseguia
acompanhar os colegas no estudo e fazia uma confusão mental diante de uma
simples página de filosofia ou teologia.Tinha dificuldade para memorizar e para a inteligência do jovem camponês o latim lhe era ainda mais incompreensível. Por esta razão, mesmo seus superiores reconhecendo sua admirável conduta, o expulsaram.
Tentou ingressar nos Irmãos das Escolas Cristãs e também dali foi rechaçado. Quando sua vocação já passava a vacilar, reencontrou o Pe. Balley, arcebispo de Lião, que passou pessoalmente a prepará-lo.
Ordenado Sacerdote, foi enviado à uma insignificante aldeia, com cerca de 230 paroquianos: Ars. Passou a ser coadjutor do padre Balley, daquele que, apesar de suas dificuldades em relação ao estudo, confiara nele e o havia preparado para o sacerdócio. Pe. João rezava, fazia penitência, pregava e fazia caridade, cumprindo zelosamente seu ministério sacerdotal.
Quando o Arcebispo Balley estava para falecer, entregou-lhe a igreja de Ars. Ars é um vilarejo de mais ou menos 370 mil habitantes e Pe. João Maria Vianney passou a ser conhecido como cura dArs. Foi ali que o santo iniciou um apostolado o qual jamais abandonou.
Visitava os paroquianos de casa em casa, atendia as crianças, aos enfermos, empregou todo o dinheiro que dispunha para ampliar e embelezar a igreja. Permanecia horas e horas atendendo a confissões de peregrinos. Milhares viajavam horas para pedir suas orientações.. Por combater os maus hábitos de seus vizinhos foi caluniado, mas a tudo conseguiu superar.
Por ele, surgiram muitas vocações religiosas, as famílias passaram a se reunir para rezar e aprenderam a oferecer a Deus todos os esforços de seus trabalhos. E mais: o santo cura dArs era capaz de trocar suas roupas com um mendigo quando as julgava inferior às suas.
Pe. João Vianney levantava-se a 1 hora da manhã para ir à Igreja e mergulhava-se na oração. Antes de amanhecer, confessava as mulheres. As 6 horas celebrava a Missa seguida de uma prolongada ação de graças.
Após a missa dava atenção aos peregrinos, às 10 h rezava uma parte de seu breviário e retornava ao confessionário. Às 11 h fazia uma catequese que se tornou famosa. Após uma frugal refeição, retornava à igreja. Porém para conseguir chegar à igreja demorava duas horas, dada a multidão que queria vê-lo, falar-lhe, tocá-lo.
Ao chegar à Igreja, rezava as vésperas e as completas e entrava no confessionário para sair dali somente à noite. Após as confissões terminava seu breviário e por fim descansava um pouco sobre uma cama SEM colchão. Tão mal alimentado, privado do ar puro e de sol, submetido a um esforço sobre-humano, era um milagre que continuasse a viver.
Dedicava-se, portanto. dezesseis horas do dia às confissões e orações e atendia a todos com uma infindável paciência. Sua fama ultrapassou as fronteiras dos países europeus e atingiu a todo o mundo cristão Segundo os cálculos da comunidade, somente no ano de 1.855, cerca de vinte mil pessoas viajaram para ouvir o amado padre. O lugarejo antes comum tornou-se um centro de peregrinação.
Ars foi transformada pela sua santidade sacerdotal. Sexta-feira, 29 de julho de 1859, o cura dArs adoeceu. Ao cair da noite ao perceber que a morte se aproximava, são João Batista Maria Vianney disse: "O médico nada poderá fazer. Chamem um Padre". Mas o médico foi visitá-lo, pediu que pusessem o colchão sobre sua cama concluindo que ao calor se aplacar, ele haveria de melhorar.
Como não existiam ventiladores, os vizinhos imediatamente subiram ao telhado da casa paroquial e o cobriram todo com lençóis molhados. Todos choravam. O Bispo da diocese veio consolá-los. Seis dias após, aos 73 anos de idade, 4 de agosto de 1.859, às 2 horas da manhã o santo Cura d´Ars foi para o Céu sendo canonizado pelo Papa Pio XI, 66 anos após, tornando-se o patrono dos sacerdotes.
Palavras de São João Maria Vianney: "Após a consagração, quando tenho em minhas mãos o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor, e me encontro em momento de desânimo não julgando-me digno senão do inferno, digo-me a mim mesmo: Óh! Senhor, se ao menos Vos pudesse levar comigo! O inferno seria doce junto de Vós! Não me custaria ficar lá sofrendo durante toda a eternidade se estivéssemos juntos... Mas então não haveria mais inferno! As chamas do amor extinguiriam as da justiça..." "Ao homem foi confiada uma nobre missão: rezar e amar. Nisto consiste sua felicidade. Rezar nada mais é do que estar em união com Deus. Quando o nosso coração é puro e está unido a Deus, somos consolados e plenificados com Sua ternura. Somos iluminados pela Sua luz divina. Nesta íntima união, Deus e a alma assemelham-se a dois pedaços de cera que se fundem. Não podem mais viver separados. Nada existe de mais maravilhoso do que a união de Deus com sua criatura, limitada e insignificante. Essa felicidade ultrapassa qualquer conhecimento. Falhamos porque somos incapazes de rezar. Deus, entretanto, permitiu, na sua bondade, falarmos à ele. Nossa oração é como um incenso agradável à Deus. Meus filhos, pequenos são os vossos corações, mas a oração dilata-os e os torna capazes de amar a Deus".